Sábado, 31 de Julho de 2010

Radiação Ultra Violeta Elevada no Minho

 

 

 

Radiação Ultra Violeta Elevada no Minho

  

 

 

A Associação de Protecção e Conservação do Ambiente – APCA, na sequência da campanha iniciada, em 2007, tendo em consideração os valores do Índice Ultra Violeta (IUV) registados na região do Minho, nos últimos meses, vem por este meio alertar a população, particularmente, a que trabalha exposta ao sol e frequenta as praias da região, para os perigos que correm quando expostos à radiação ultra violeta nos períodos mais críticos do dia, normalmente, entre as 11 horas e as 16 horas. Relembra-se que estamos perante um problema de Segurança dos Cidadãos, em termos gerais, afectando com maior incidência Trabalhadores de determinadas actividades profissionais (trabalho ao ar livre) e Utentes das Praias, com repercussões na sua saúde, concretamente, a eventual ocorrência de lesões graves na pele, entre as quais o cancro da pele (melanoma). Estamos perante uma situação que deve mobilizar toda a sociedade face à sua dimensão nacional, repercussões na saúde pública, no bem-estar e qualidade de vida dos portugueses. É inadmissível perante o aumento dos casos de cancro da pele em Portugal, que não se tomem medidas concretas, no âmbito da sensibilização de proximidade, junto dos Trabalhadores e Utentes das Praias expostos a estes riscos naturais. Espera-se do Estado (administração central, regional e local), uma atitude em conformidade, através de acções de prevenção e de acção directa, com vista a uma sensibilização efectiva, que salvaguarde a segurança das pessoas expostas conscientemente e inconscientemente, por motivos profissionais ou de recreio e lazer a este tipo de riscos naturais.

   

Dado tratar-se dum problema no âmbito da actuação da APCA nas áreas e domínios do Ambiente Ocupacional e Saúde Pública, para aquilatar-se a dimensão do problema e suas repercussões na saúde das pessoas, onde na listagem de consequências, voltamos a frisar, figura o cancro da pele, visitamos nas últimas semanas as praias minhotas, entre as quais as 15 praias com Bandeira Azul (3 no concelho de Caminha, 8 no concelho de Viana do Castelo e 4 no concelho de Esposende), tendo-se constatado que nas mesmas não existe nenhuma informação que alerte os utentes para os perigos que correm ao exporem-se ao sol quando os índices ultra violeta excedem determinados valores em certas horas do dia. Esta análise estendeu-se, ainda, ao exercício de algumas actividades profissionais no seio de organismos públicos, cuja actuação deveria ser exemplar, tendo-se também constatado a inexistência de qualquer medida preventiva ou quando existe alguma actuação as medidas são muito incipientes não minimizando os efeitos nefastos da exposição à radiação ultravioleta.

 

A gravidade da situação, conforme se tem vindo a reclamar, desde 2007, impõe uma actuação imediata, que infelizmente tarda, para que rapidamente esta gravíssima lacuna seja suprida. Lamenta-se que a nível local os organismos com competências e atribuições nesta matéria, não dediquem qualquer tipo de atenção a este domínio da saúde pública, relevando-se a gravidade de tal situação em espaços apregoados como saudáveis, apesar de existirem na região “Gabinetes” que pressupostamente, atendendo às designações que ostentam, se deveriam ocupar e preocupar com um assunto tão importante como este. Espera-se que no maior município da área analisada e que detém mais de 50% das praias com Bandeira Azul da orla costeira minhota, onde em 2004 existiu, pela última vez, alguma informação sobre a matéria, a recente substituição de liderança por uma pessoa com outra sensibilidade e postura cívica, permita a rápida inversão desta situação, face à elevada probabilidade dos utentes das praias, por falta de informação, virem a contrair cancro da pele, entre outras lesões cutâneas.

 

 Releva-se que a parte ultravioleta do espectro solar (UV) desempenha um papel determinante em muitos processos na biosfera, possuindo muitos efeitos benéficos, contudo pode causar graves prejuízos para a saúde se o nível de UV exceder os designados valores limites de exposição dependentes da cor da pele, olhos e cabelo dos utentes sujeitos à exposição (Ver em anexo protótipo de painel, recentemente sugerido por um investigador do litoral). Quando a quantidade de radiação ultravioleta excede os limites a partir dos quais os mecanismos de defesa inerentes a cada espécie, se tornam ineficazes, podem ser causados graves danos a nível biológico, facto que também se aplica ao organismo humano e em particular aos órgãos da pele e da visão. Com o intuito de serem evitadas lesões, agudas e crónicas, resultantes da exposição a elevados níveis de UV, as pessoas devem limitar a sua exposição à radiação solar adoptando medidas de protecção, medidas estas que variam consoante a sensibilidade de cada um.

 

A radiação ultravioleta (UV) faz parte do espectro da radiação solar nos comprimentos de onda compreendidos entre 290 nm a 400 nm. A chamada radiação UV-B corresponde ao intervalo espectral de 280 nm a 320 nm, sendo a principal responsável pela formação de queimaduras na pele, cancro da pele, cataratas e outros efeitos na saúde humana. A necessidade de fazer chegar ao público, em geral, informação sobre a radiação UV e sobre os seus possíveis efeitos nocivos, levou à definição dum parâmetro que pudesse ser usado como um indicador para as exposições a esta radiação, designando-se tal parâmetro por Índice UV (IUV). Assim, o IUV é uma medida dos níveis da radiação solar ultravioleta que efectivamente contribui para a formação de uma queimadura na pele humana (eritema), sendo que a sua formação depende dos tipos de pele e do tempo máximo de exposição solar com a pele desprotegida. O Índice UV varia entre menor que 2, em que o UV é REDUZIDO, 3 a 5, MODERADO, 6 a 7, ELEVADO, 8 a 9, MUITO ELEVADO e superior a 10 MÁXIMO (Ver tabela em anexo).

   

Tratando-se dum problema que consideramos muito grave no âmbito da Saúde Pública e da Segurança e Higiene do Trabalho, por omissão ou mera negligência dos organismos incumbidos em termos da administração pública (central, regional e local) de velar pela Segurança dos cidadãos, vamos dar conhecimento de tais factos com vista a uma intervenção urgente ao Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Primeiro-Ministro; Sr. Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, Sr.ª Ministra da Saúde; Sr. Ministro do Trabalho e Solidariedade Social, para além, evidentemente, da Autoridade para as Condições do Trabalho, Operador Nacional Associação Bandeira Azul e do Operador Europeu, entre outros organismos com competências e atribuições, em razão do lugar e da matéria. Apela-se a quem de direito, em razão do lugar e da matéria, a que rapidamente seja colocada nos postos de trabalho expostos à radiação ultravioleta e nas praias, em locais bem visíveis (painéis de praia e de informação, etc.), informação sobre os perigos e cuidados a ter com a exposição ao sol, alertando-se para o facto de que os períodos mais críticos, na nossa região, ocorrem entre as 11 horas e as 16 horas. 

    

Painel de informação e sensibilização relativo à exposição à radiação ultra violeta

 

Afife, 31 de Julho de 2010          

  

 A Direcção da APCA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por afifeambiente às 23:54
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Moinhos seculares de Afife em degradação

 

 

Moinhos seculares de Afife em degradação

 

A Associação de Protecção e Conservação do Ambiente – APCA, vem por este meio alertar para o estado de profunda degradação em que se encontram os moinhos de Afife, elementos ímpares da arqueologia industrial da região, com reconhecido valor nacional e além fronteiras. Trata-se dum conjunto extraordinário de moinhos, azenhas e engenhos de serrar madeira, que na bacia hidrográfica do rio de Afife ou de Cabanas e seus afluentes, durante séculos, animaram a economia local e regional, associada a uma verdadeira agricultura biológica e aos ciclos do pão e do linho, assente nos fertilizantes naturais sargaço e mato (estrume). Salienta-se que estes valores patrimoniais inseriam-se numa cadeia agrícola fascinante, porventura única, a que aparece associada uma prática agrícola biológica, secular, transmitida de geração em geração e curiosamente base de um verdadeiro desenvolvimento sustentável, com que muito temos a apreender nesta era tecnológica. É pois neste contexto e quando tantos falam de património, desenvolvimento sustentável e agricultura biológica, que é lamentável constatar-se a atitude de desleixo de quem tem a obrigação de proteger, estimular e incentivar a salvaguarda destes bens patrimoniais ímpares.

O aproveitamento secular da energia motriz do rio de Afife, verdadeiro motor da economia local, desde pelo menos o século XVI, teve o seu apogeu na década de cinquenta, do século passado, com o funcionamento de montante para jusante, de três azenhas copeiras, cinco engenhos de serrar madeira, vinte e oito moinhos de rodízio e, ainda, as ruínas do moinho Velho do Fial e de umas paredes em granito, em pleno sistema dunar, atribuídas também a um antigo moinho. Salienta-se que alguns destes moinhos, serão porventura dos mais antigos do país, dado encontrarem-se descritos numa relação de bens do Mosteiro de S. João de Cabanas do inicio do século XVI. Aliás, recentemente, reputados investigadores, através de outras fontes documentais, salientam, também, a antiguidade de alguns dos moinhos de Afife, aludindo, em concreto, aos moinhos situados no lugar do Loureiro, cobertos de vegetação infestante.

Relembra-se que no inicio da década de oitenta, do século passado, o Vereador da Cultura de então, Dr. Carlos Baptista e, posteriormente, o Inspector Maurício de Sousa deram corpo a um trabalho de recuperação de alguns destes moinhos, em articulação, com o Ministério da Cultura e uma associação local, todavia esse esforço louvável perdeu-se, face a novas orientações políticas municipais. Constata-se, infelizmente, e apesar dos alertas constantes desta associação, entre outras intervenções, que o desleixo, nos últimos 16 anos, a que este conjunto patrimonial ímpar da arqueologia industrial minhota foi votado, por incúria ou outros motivos, conduziram ao estado calamitoso em que se encontram estes bens patrimoniais.

A Associação de Protecção e Conservação do Ambiente – APCA, vem por este meio alertar para o estado de profunda degradação em que se encontram os moinhos de Afife, elementos ímpares da arqueologia industrial da região, com reconhecido valor nacional e além fronteiras. Trata-se dum conjunto extraordinário de moinhos, azenhas e engenhos de serrar madeira, que na bacia hidrográfica do rio de Afife ou de Cabanas e seus afluentes, durante séculos, animaram a economia local e regional, associada a uma verdadeira agricultura biológica e aos ciclos do pão e do linho, assente nos fertilizantes naturais sargaço e mato (estrume). Salienta-se que estes valores patrimoniais inseriam-se numa cadeia agrícola fascinante, porventura única, a que aparece associada uma prática agrícola biológica, secular, transmitida de geração em geração e curiosamente base de um verdadeiro desenvolvimento sustentável, com que muito temos a apreender nesta era tecnológica. É pois neste contexto e quando tantos falam de património, desenvolvimento sustentável e agricultura biológica, que é lamentável constatar-se a atitude de desleixo de quem tem a obrigação de proteger, estimular e incentivar a salvaguarda destes bens patrimoniais ímpares.

O aproveitamento secular da energia motriz do rio de Afife, verdadeiro motor da economia local, desde pelo menos o século XVI, teve o seu apogeu na década de cinquenta, do século passado, com o funcionamento de montante para jusante, de três azenhas copeiras, cinco engenhos de serrar madeira, vinte e oito moinhos de rodízio e, ainda, as ruínas do moinho Velho do Fial e de umas paredes em granito, em pleno sistema dunar, atribuídas também a um antigo moinho. Salienta-se que alguns destes moinhos, serão porventura dos mais antigos do país, dado encontrarem-se descritos numa relação de bens do Mosteiro de S. João de Cabanas do inicio do século XVI. Aliás, recentemente, reputados investigadores, através de outras fontes documentais, salientam, também, a antiguidade de alguns dos moinhos de Afife, aludindo, em concreto, aos moinhos situados no lugar do Loureiro, cobertos de vegetação infestante.

Relembra-se que no inicio da década de oitenta, do século passado, o Vereador da Cultura de então, Dr. Carlos Baptista e, posteriormente, o Inspector Maurício de Sousa deram corpo a um trabalho de recuperação de alguns destes moinhos, em articulação, com o Ministério da Cultura e uma associação local, todavia esse esforço louvável perdeu-se, face a novas orientações políticas municipais. Constata-se, infelizmente, e apesar dos alertas constantes desta associação, entre outras intervenções, que o desleixo, nos últimos 16 anos, a que este conjunto patrimonial ímpar da arqueologia industrial minhota foi votado, por incúria ou outros motivos, conduziram ao estado calamitoso em que se encontram estes bens patrimoniais.

Afife, 14 de Julho de 2010                                                           


A Direcção da APCA

 

 

 

 

 

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